quinta-feira, 5 de maio de 2011

Review: The Fight Lights Out

The Fight: Lights Out é o primeiro jogo “hardcore” lançado para o PlayStation 3 focado diretamente no PlayStation Move, o controle de movimentos da Sony. Em The Fight: Lights Out o jogador assume o papel de um lutador de rua novato que precisa treinar muito para conseguir derrotar uma série de adversários em lutas sem regras, sem juizes e com muito sangue.
No início de sua carreira, informações básicas serão anotadas pelo jogo, como o seu peso e a sua altura. Além disso, o jogador poderá customizar o seu personagem com uma pequena quantidade de opções que incluem estilo e cor de cabelo/barba e tipo de físico e características do lutador. No decorrer do jogo muitas outras opções serão liberadas e com isso o seu personagem poderá ganhar a sua cara e estilo.
Com o personagem criado, entra em cena o ator Danny Trejo (MacheteEra uma Vez no MéxicoA Balada do Pistoleiro), uma das atrações do jogo. Ele será o seu treinador e te dará muitas dicas para melhorar a sua performance no ringue durante o jogo. A atuação de Trejo é simplesmente sensacional, de forma simples e divertida ele irá ensinar como o jogador deve jogar The Fight: Lights Out. Os videos (cut-scenes) onde Trejo está presente estão muito bem sincronizados com a sua performance no jogo, isto é, se durante um treinamento você não conseguir efetuar um determinado tipo de golpe, Trejo estrará em ação reclamando com você e perguntando se você “veio ao jogo” para lutar ou “caçar borboletas”.
Confira acima o video do Tutorial com Duke (Danny Trejo)
O tutorial inicial, que também é um belo treinamento, leva cerca de 20 minutos e ensina os golpes básicos ao lutador novato. Depois se aprender o básico, somos levados ao menu principal do jogo, muito simples e intuitivo, onde podemos escolher entre o dois modos de jogo, carreira ou multiplayer:
  • modo carreira, offline, resume-se em realizar uma série de lutas contra dezenas de adversários que são liberados conforme as suas vitórias. Será preciso muito treinamento para melhorar a performance do seu lutador e conseguir vencer lutas contra adversários mais fortes. O jogador precisará desenvolver características técnicas do seu lutador, como força, resistência, velocidade e agilidade. Apesar de muito simples o modo carreira tomará muito tempo do jogador, principalmente pela necessidade dos treinamentos e a dificuldade dos adversários.
  • modo multiplayer possui duas opçòes destintas, uma online e outra offline. Na opção online você poderá enfrentar lutadores de todos os lugares do mundo com o seu personagem, enquanto na opção offline você poderá lutar contra um amigo com tela dividida. No segundo caso será necessário uma quantidade elevada de controles (4) para uma experiência completa.
The Fight: Lights Out é um jogo exclusivo para PlayStation Move e exige o controle de movimentos para funcionar, bem como a câmera PlayStation Eye. Mas é possível jogar com apenas um Move, utilizando o DualShock 3 como controle auxiliar. No decorrer dos nossos testes, a opção de apenas um Move se mostrou pouco divertida e precisa, por este motivo recomendamos a utilização de pelo menos 2 Moves para que a experiência de jogo seja melhor. Além disso o jogo exigirá um longo processo de calibragem, muito além do normal e que poderá irritar um pouco o jogador (são pelo menos seis passos complexos que irão determinar a posição exata do jogador).
Os gráficos do jogo são bem característicos ao seu nome. The Fight: Lights Out possui gráficos escuros e sombrios, onde as cores mais vivas parecem mortas. Entretanto, o ambiente é criado justamente por este estilo e jogo de cores. Por ser um jogo para um público adulto e mais “hardcore”, seria estranho a utilização de cores vivas e vibrantes.
O jogo possui uma grande quantidade de lutadores, mas nenhum deles recebeu uma grande quantidade de detalhes. Todos parecem ser criados em um sistema randômico de criação de personagens e nenhum possui uma característica diferenciada, exceto pelo estido de luta. Por esse motivo o jogo passa a impressão de que os lutadores adversários são bonecos e não lutadores de verdade.
Um dos pontos positivos, em relação aos gráficos do jogo, são os efeitos dos lutadores machucados. Após uma luta é possível ver com detalhes os machucados no rosto dos lutadores.
Não espere gráficos brilhantes, eles cumprem com o seu papel dentro de um ambiente sombrio, mas pecam nos detalhes.
The Fight: Lights Out
The Fight: Lights Out
O jogo conta com efeitos sonoros interessantes. Durante uma luta, um dos fatores mais importantes que devemos levar em consideração, é a stamina do lutador. Se ela chega perto do fim, o lutador fica cansado e os efeitos sonoros do jogo deixam isso bem claro. É possível escutar com detalhes a respiração do lutador cansado, bem como a sua tentativa de realizar golpes sem sucesso. Outros poucos efeitos sonoros, como som do movimento do corpo ou gemidos de dor, poderão ser escutados durante a luta.
A trilha sonora conta com músicas hard rock, que estimulam o jogador a bater em seu adversário. Entretanto não contamos com uma grande quantidade de artistas ou possibilidade de customizar as músicas.
Até chegar neste quesito, The Fight: Lights Out é um bom jogo, nada espetacular, mas é sim um bom jogo. Entretanto, a jogabilidade sofre com sérios problemas que deixarão os jogadores hardcores irritados, estes problemas no entanto não serão notados por jogadores casuais.
O primeiro ponto negativo é a calibragem do jogo. Ela exige diversos passos diferentes do que normalmente estamos acostumados em jogos do Move. Você deverá ficar em diversas posições para que o jogo possa capturar os seus movimentos corretamente.
Além de calibrar o Move, é possível calibrar o Head Tracking, que detecta o movimento da sua cabeça e transmite-o para dentro do jogo. A ideia do Head Tracking é sensacional – você consegue esquivar o seu corpo dos golpes que vão em direção da sua cabeça –, entretanto essa função dificilmente funciona. A sua calibragem sempre dá erro e o ambiente nunca foi apropriado (testamos em dois ambientes, um quarto e uma sala). Durante o jogo, nos poucos momentos onde funcionou, os movimentos da cabeça sofriam grande delay.
Dentro do jogo, os seus movimentos realizam os golpes mais básicos, como um direto ou um uppercut. Para realizar golpes mais fortes, ou especiais, é necessário realizar um movimento específico segurando um botão (Ex. segurar T e realizar um movimento para cima e depois para baixo) e é exatamente nesses golpes que o jogo se perde. Se estamos focados em uma luta, atacando o adversário com diversos golpes, temos que realizar um movimento totalmente fora do contexto para que o personagem realize um golpe especial. Por ser fora do contexto, o jogador irá errar 8 de cada 10 tentativas, simplesmente porque está totalmente fora da sua cordenação motora, durante uma luta você jamais iria girar 360º para realizar um golpe.
The Fight: Lights Out
The Fight: Lights Out
Os golpes mais simples, que não exigem este tipo de macaquice, funcionam bem e no geral a jogabilidade não possui um delay muito grande, está dentro dos padrões aceitos por um controle de movimentos.
Outro fator que devemos levar em contra, este positivo, é que o jogo exige fisicamente muito do jogador. Depois de uma série de duas horas seguidas realizando movimentos de socos, eu estava completamente suado, cansado e ofegante. Pude checar então no medidor de calorias do jogo (sim, ele usa o seu peso e a sua altura para dar um gasto médio de calorias gastas durante o jogo) que mais de 350 kcal já haviam ido embora. Mais tarde, eu não conseguia levantar o braço. O jogo exige alongamento antes e depois, se você não fizer achando que é bobeira, irá sofrer dores fortes nos braços.
Por falta de jogadores online, testamos primeiro o modo multiplayer. A jogabilidade, que já é um pouco confusa no modo de um jogador, fica ainda mais confusa com dois jogadores. O espaço necessário para calibrar os controles não foi suficiente, durante a luta os golpes tiveram problemas de reconhecimento e simplesmente não eram executados e mais grave do que isso, os dois jogadores tiveram que fugir dos golpes reais do outro. Para funcionar de forma correta, o jogo precisa de um espaço muito amplo, o que não é a realidade da maior parte das casas do Brasil.
As tentativas de partida online, contra americanos, não resultaram em uma boa experiência, principalmente pela conexão.
The Fight: Lights Out tinha tudo para ser um ótimo jogo, mas pecou no principal: a sua jogabilidade. Um jogo de PlayStation Move pode não ter gráficos perfeitos ou efeitos sonoros incríveis, mas a sua jogabilidade precisa ser perfeita para que a experiência de jogo seja satisfatória, e este não é o caso. Apesar de proporcionar boas horas de diversão e muita queima de calorias, The Fight: Lights Out poderá irritar quem busca um “simulador”“ de lutas de rua. Se pretende comprar este jogo, prepare seus nervos. Para quem tem o PlayStation Move e buscava um jogo para se divertir, The Fight: Lights Out não deixa de ser uma boa opção.
  • Atuação de Danny Trejo.
  • Exercício físico intenso. Medidor de calorias.
  • Boa quantidade de customização.
  • Jogabilidade com sérios problemas.
  • Head Tracking não funciona
  • Alto investimento para uma experiência completa.
  • Gráficos e efeitos sonoros “regulares”.
Apresentação: 8.0
Gráficos: 7.5
Som: 7.5
Jogabilidade: 7.0
Online: 6.5
Nota Final: 7.5
''Bom''

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